quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ALZEIHMER(ALZEIHMER!0 - wikdicionario wikcionario etimo


Mãe amava jardinagem e... - minha avó,
a mãe dela,
bem como seus filhos
(seu marido?) e a poesia
de Casimiro de Abreu, Junqueira Freire
e Álvares de Azevedo :
três ultra-românticos poetas
e um árcade conjurado
abaixo pescado.
 
   
Mãe recitava de Alvarenga Peixoto,
o conjurado árcade ,
o poema que escrevera no cárcere
da Ilha das Cobras
o requintado intelectual lançado às traças
por sua participação na conjuração mineira.
O poema... - ei-lo em parte,
na parte que parte o coração:
"Bárbara bela
do norte estrela
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
    Isto é castigo
que Amor me dá".
 
 
Mãe cozinhava mui bem:
galinha cabidela,
empadas deliciosas
( nunca comi similares
- ou só mordisquei similares!)
e outros tantos acepipes, quindins...


Mãe saía à rua
acompanhando, acompanhada,
em companhia de todos os filhos
ainda crianças, que então eram sete :
Osvaldo viria pelo vento do cavalo com venta
na trombeta soprada por anjo rechonchudo.

 
O povo que a via
na via expressa 
com a feliz prole
comparava-a com a galinha e os pintainhos
ou a "escadinha"ou o time de futebol.
 
 
Íamos Ícaros (Ícaro!)
com destino à casa de sua mãe,
nossa senhora avó 
do tempo em que fomos gerados
quase nos gerânios que mãe plantara
por toda a parte vinculando com amor
o imaginário ao real mesclados.
Ecletismo, miscelânea.


Mãe cantava canções maviosas
e seu canto santo - materno e terno
era melhor do que o melhor grupo musical do mundo:
- The Beatles :
 The Beatles de sublimes baladas!


Mãe fazia tudo
- e era tudo que havia :
dela não havia ausência;
enquanto meu pai 
apenas aparecia de coadjuvante
e de preferência ébrio e furioso
tal qual um Ludovico Ariosto
 que recitava o poema
"Orlando Furioso"
cuspindo marimbondos.
(A atuação do pai é sempre a de um bufão
- embriagado!
Pobre de mim
que fluí assim
pela água do rio
que untava meus pés
no banho de língua lambida
do cachorro carinhoso:
O arroio  rumorejante é um cão
com todo carinho de mãe
em dedicatória loquaz).
 


Ora, se insto em frisar
que mãe fazia e acontecia,
em tempos  de paraíso,
à luz edênica,
ou no Jardim das Hespérides
ou na Casa de Filosofia de Epicuro,
denominada o Jardim por aquele sábio,
não é porque ela já esteja morta;
mãe ( Mãe!!!... grito e a noite me devolve 
o silêncio sem mãe,
a calada da noite 
com a esposa surda 
em seus afazeres domésticos, coitada!:
ela tem a árdua tarefa 
de ser mãe para outros filhos,
outra rainha, outra deusa
para pequeninos chorões
ou enormes preguiçosos
- os meus filhos, mais dela,
que tudo é mais da mulher
e muito menos do homem,
o fanfarrão bêbado).
 
 
Mãe continua viva,
esbanjando saúde,
porém ferida pela idade provecta,
na qual muitos sofrem do mal de Alzheimer(Alzeihmer!),
pena sobre a máscara teatral do teatro de Alzheimer,
peça dramática que um médico escreveu
para os demais colegas representarem
como meros atores no exercício da medicina,
dentre outros males que teimam em abundar,
a desdenhar a ciência
em sua estúpida e estapafúrdia presunção
( O sábio Alzheimer
que escreveu a tragédia grega
para ópera médica,
leu-a na face do macróbio
que, se sobrevivermos ao boom da vida,
poderemos poderosos ter que representar
a tragédia do estro do douto Alzheimer).
 

Mãe, canto sua alegria antiga assim,
que era minha felicidade de antanho,
não num tom elegíaco ou ditirâmbico,
mas com ordem de ode
eivada de nostalgia,
pois fica claro que nós, - todos!,
os maus filhos, que somos, - todos tolos!,
péssimos e ingratos seres humanos,
tratamos o outro ser humano,
no caso até a mãe,
não com respeito, carinho e amor,
nem com qualquer laivo de caridade
que ultrapasse o que é  mero verbo 
em lábios mendazes da barregã,
mas com desdém,
porquanto mesmo em se tratando de nossa mãe,
pessoa de proa de nossa vida,
que todo o amor semeou e doou para nós,
que nos embalou e consolou com carinho,
bálsamo que nunca mais usufruímos;
não obstante isso e tudo o mais
que não ouso narrar
por vergonha de constatar que tanto amor
teve o retorno de tanta indiferença,
pois  passamos  tratar nossa mãe,
que é a nossa vida,
como se morta fosse:
- tratamo-la como mula e trator que somos,
Massey  Ferguson,
- tratamo-la como se ela fosse
um jazigo vivo,
um túmulo aberto no peito
- da dor maior,
que é um dó maior...
que rasga e fere gravemente
- até nossa maldade infinita!
( Isso grito de mim
e sou meu crítico severo.
Mas a vida é assim 
e assim seremos todos tratados
pelo tratorista do dia
que sai para rasgar o ventre da terra:
roubar a terra para outrem
que lhe ordena a roubar
na doutrina da lei
dos escribas hipócritas
que o somos escrevendo.
Ó copioso amanuense!
 

 
Mãe, não é verdade mãe
que ainda me escuta daí
mesmo com a baixa umidade no ar
que mal me faz respirar?! 
Mãe, que  faz o oboé expirar
na melodia do luar
e suspirar ao se lembrar
do poeta Inácio Quinaud,
do qual, você, mãe
narrou-me o drama,
a tragédia que terminou em suicídio! 
( O poeta vive sob a pressão do front,
da casamata, da taberna, da caserna, da Cúria...).


Mãe,
que deixa pendoar o perdão
 para este filho impenitente, a este,
ou quem sabe no zênite, nadir, oeste...
- este filho  sem sorte no norte
que precisa de muita penitência filial
à maneira do profeta Oséias.
Todavia, mãe, 
- a minha mãe!, 
não me cobra que eu espalhe 
um punhado de cinza na cabeça,
cilício e vestes de saco use
e abuse  como Deus quiser
- se quiser pela "Opus Dei".
 
 
Mãe pode ter morrido para a poesia
do conjurado Alvarenga Peixoto,
como morreu para muita coisa;
porém nós, mesmo em criança,
morremos todas as noites
e acordamos com a aurora
para que venha nos acordar
no fuso do dilúculo,
na lua embrulhada em teia de aranha,
toda branca, pálida,
pois todos somos roubados e furtados
de células, acervos de memória,
dentre a infinidade da riqueza
que fora e é nosso tesouro na vida,
sempre surripiado, bifado tesouro,
sem que nos socorra
o Código Penal Brasileiro
ou as leis internacionais
que berram e ladram,
mas somente põem o ricto do sarcasmo
em lábios entreabertos num sorriso irônico
do ladrão, que não é cão,
nem ladra feito um canino
- e também a ferida do berne
no boi,  vaca,  bezerro
- que ruminam e berram,
erram pelo pasto vasto
para que o abençoado pão de cada dia
chegue à mesa do médico  veterinário
que  também merece sobreviver
e se alimentar de glúten,
caso não seja celíaco.

Outrossim, além de não permitirmos
 paz aos vivos,
nem à nossa amada mãe,
em seus dias turvos
nos quais vê quase que tão-somente
o Ancião dos Dias
debruado nas madrugadas 
ouvidas em madrigais
e cheiradas em madressilvas,
- nós os irrequietos 
não deixamos nem os mortos ao limbo:
estão sempre nas nossas digressões,
visitam-nos em sonhos 
e os visitamos em cerimônias anuais,
se não dialogamos com eles 
escritos sob os signos,
afogados sob montanhas de signos
em livros, cartas, obituários, inventários, epitáfios
que são "proclamas" do mal-do-século,
em "Confissões" de Alfred de Musset 
e na vida extravagante de Lord  Byron,
um dos maiores poetas de Europa,
que jaz na Igreja de Santa Maria Madalena
em algum lugar da Inglaterra

de João-sem-Terra
e Ricardo Coração de Leão.

Em algum lugar
da terra de mãe

( terra em mim)
há uma rua simples e torta
com a porta aberta à lua morta
nos olhos do poeta Inácio Quinaud
morto
- como seremos sob sereno
 um dia, noite ou madrugada
 quando já não estaremos
íntegros sob o culto ao luar

na Rua Inácio Quinaud
que escura cura que escuta
o canto da cachoeira
 entrar nos seus casarios
- ouvidos do rio.



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terça-feira, 17 de setembro de 2013

SUBSTÂNCIA(SUBSTÂNCIA!) - vebete wikcionario etimo

 Aporia, uma aporia constata Aristóteles, o filósofo grego,  o aristocrata por excelência, quando fala que a ciência provêm dos universais, ou da percepção e conceituação do que é universal na substância primeira, que é o indivíduo, o homem individual, de onde tudo emana e que dá nome e número ( os “nous”) ou qualidade e quantidade em contraparte á substância, nas categorias , as quais situam-se  abaixo da substância, que é o sujeito do universo, pois sem ela ( a substância, o sujeito, o subjetivo) o universo não se diz, pois a dicção, o predicado (pré-dicado) origina-se no sujeito, que e a substância primeira, ou o indivíduo , ou seja, o ser humano, o homem enquanto indivíduo. Esse pensar aristotélico pára na Bíblia, no Livro do Gênesis, quando se  diz que o homem nomeia os animais e plantas e tudo o que há na terra. Inclusive as Grandes Dionísias.
Todavia, o universal não se exprime, senão pela singularidade, na substância primeira, que é o indivíduo humano, a concretude; porém há a substância nomeada de substância segunda, que é a espécie, que  é o homem, ou seja, aquilo que o ser  humano individual tem em comum com os demais seres humanos, que caracteriza o homem, diferencia-o do boi, a ave, por exemplo.
Ora, quando Walt Disney veio ao Brasil em 1942 e criou a personagem José Carioca, isso, ao ver os desenhos, me animou a crer que ali estava Aristóteles, sem rebuço. Senão vejamos: a personagem fictícia José Carioca  evoca com perfeição psicológica, corporal, cultural, enfim, o apresenta o tipo do brasileiro universal, ou seja, a espécie de gentílico, se podemos arrumar uma licença poética para fazer o exemplo clarificar o pensamento do estagirita. Claro que, enquanto espécie, o homem brasileiro não  difere em nada do norte-americano, mas culturalmente sim, há uma diferença de comportamento abissal, que toca o corpo e o pandeiro vai bailando junto ao bumbum bate bumbum  ziriguidum , em José Carioca e até faz dançar o caráter do “urso”, para lembrar Helvetius que assinalara : “A educação faz dançar os ursos”. Digo que no circo sim. No picadeiro com as devidas ou indevidas ameaças.
Nota-se que José Carioca é um tipo invasivo, intrometido, afetado, falso, falsário mesmo, mentiroso, que vive e sobrevive  de enganar os outros ( profissão de fé do malandro brasileiro de cultura folclórica), bom de conversa, fácil de fazer  amizade , o que mostra futilidade, leviandade, interesse em passar uma imagem positiva, de pessoa carinhosa, gentil, tudo com um objetivo de tirar o máximo proveito da situação enquanto o incauto não perceber. Vigarista, estelionatário. É um típico Macunaíma : indivíduo de mau-caráter, sem virtude, sem honra ou vergonha, um pária, enfim. O rebotalho. Lamentavelmente é o brasileiro típico, culturalmente formado, mormente daqueles que dirigem  o país : os políticos, que são sempre  d esse naipe, pois os políticos, os detentores do poder são aqueles com os quais o povo tem empatia e, portanto, ganham, no voto, democraticamente, direito de representar esse povo, pois são a cara do povo. O homem brasileiro não é pior nem melhor que o norte-americano, o europeu, o árabe, mas sua cultura, que consideraremos aqui como algo acidental ao homem ( coloquemos a cultura como acidente para evitar dissensões que não interessa ao escopo deste escrito, porquanto  a  cultura,  que  não e a mesma em todos os povos, é que faz essa diferença não essencial, mas acidental.
De mais a mais, estudar a cultura de cada povo não retrataria a cultura absorvida, lida e interpretada por cada indivíduo humano e, portanto , não poderíamos ter ciência, pois se   estudarmos  cada indivíduo teríamos, segundo Aristóteles, tantas ciências quantos indivíduos existem. Por isso, segundo o filósofo, apreendemos o múltipo, que representa o universal em cada indivíduo e desse universal, encontradiço no indivíduo, construímos  os princípios que norteiam  a ciência. Esse universal é a espécie, que conceitua o homem enquanto um conjunto de seres semelhantes, com as semelhantes características físicas e psíquicas essenciais ( substanciais, de sujeito  ou subjetivas, oriundas do mesmo substrato; a saber , a substância primeira ).
 A ciência, com o universal, que é uma percepção e conceituação intelectual, colhe a concretude com o aparato da abstração, ou seja, deixa de ser ciência de fato para sê-lo de direito, pois afasta a realidade concreta e estuda a abstrata, só chegando a concreção quando no embate profissional, se muito. A ciência, de fato, é uma demonstração de princípios  científicos, mas não ciência, pois prescinde dos fatos singulares , graças ao intelecto  nobilíssimo de Aristóteles que a colocou nestes trilhos a milênios, pois não havia outro caminho possível  e tão econômico quanto o método que se utiliza do universal, que é mera abstração, e tem que abandonar a concretude em nome da necessidade de economia, sem a qual não poderia haver ciência funcional. A ciência é como a estatística  vive de amostras da população, pois é impraticável estudar todos os indivíduos da população e, destarte, sim, poder fazer ciência e não mera amostra.Entrementes, sejamos dissidentes ou dóceis meninos, é esse universal que faz a ciência, catado na singularidade do indivíduo, pois sem  indivíduo não há homem e nem, evidentemente, ciência, que é produto do homem em correspondência com sua cultura, a qual  responde.
O homem(espécie) brasileiro é, destarte, desenhado, conceituado, lido da alta arte do poeta, do artista Disney ( e a política dos Estados Unidos ), lido enquanto espécie, ou seja, substância (substância!) segunda, que é a espécie e, concomitantemente, mostra a substância primeira, de onde se tira a segunda, que não existe sem a primeira, sendo a substância primeira ou o sujeito ou o indivíduo humano, o ser humano individual, que faz nadar o universo em suas águas internas e externas, via mares, coaduna-se perfeitamente com o pensamento aristotélico sobre as categorias que é constituída pela metafísica e posta ( em tese) pela tabuadas categorias do filósofo do Liceu.
De fato, não temos ciência, porquanto essa ciência fundada no universal não passa de uma amostra estatística da ciência, pois a ciência completa, verdadeira está no estudo do cientista e da  maior quantidade ( e com toda a qualidade) de indivíduos que o cientista solitário ou em conjunto(ou equipe) que pode existir; no caso da ciência por amostra estatística que o cientista político estuda, não deixa de ser ciência, mas é incompleta e pode ser objeto de manipulação por parte dos políticos, pois é uma ciência voltada para a política, no sentido que cuida do universal para estudar por abstração a complexa  teia e Ca   déia em trama viva na realidade natural ou social, econômica, consoante for o objeto da ciência.
A ciência de fato, real é do indivíduo cientista em interação livre entre o indivíduo objeto de estudo ou a substância estudada e o sábio que  o(a) estuda  movido ela paixão e não por interesses políticos, econômicos,  etc. A ciência fundada exclusivamente nos princípios que levam à uma mostra do universal é política; logo não é cabalmente legítima, mas maculada; a ciência pura é individual, não encarna conotação ou denotação política. É o estudo o eremita :
Nietzsche escrevendo, Shopenhauer meditando o budismo e o hinduísmo, Kant elucubrando na solidão e solitude ,  no silêncio de  suas teses uma doutrina bem sopesada  e, claro, Aristóteles elaborando todo co corpo da filosofia que, praticamente, foi criado por ele com pano de fundo em seus mestres e nos  mestres de sues mestres : os pré-socráticos e os que precederam ou forma preceptores do pré-socráticos.
Toda a  filosofia e ciência contemporânea tem esteio nas obras de Aristóteles. Não obstante, o homem comum não pode saber disso porque não tem leitura suficiente para entender o filósofo; sabe-o, tampouco,  sabe o cientista e o professor de filosofia, pois estes não têm bagagem literária mínima para apreender  o que um saio antigo e de vasta, perspicaz inteligência tem a dizer a todos os tempos,  quando o tempo cai sobre um homem de gênio e erudição e se transforma em ser.
Ou não seria essa contemporaneidade inaudita de Aristóteles de Estagira apenas um emaranhado de contextos que se mesclam irremediavelmente na tradução, um diálogo de tramas dos tempos que se interpolam,  que se encontram numa mente moderna e tende a ler o próprio universo contextual num mundo antigo, num homem de outro tempo e outras tramas conceptuais?! Não seria ao resultado da intersecção dos tempos? Das leituras e da imaginação do literato, do esteta que se mete a exegeta, hermeneuta, comentarista e tradutor do filósofo?

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sábado, 14 de setembro de 2013

ÊXTASE(ÊXTASE!) - wikdicionario wikcionario etimo



"Tudo o que era sólido se desmancha no ar" é uma frase de Marx com fulcro no pensamento de Heráclito de Éfeso : "Tudo flui - tudo é e não é". Este "tudo" é o "todo", o "uno", o "Hen panta"de Parmênides; enfim, o ser. A oração de Marx também influiu no pensamento de Bauman quando disserta sobre a a "sociedade líquida", "Amor Líquido" e "Globalização:  as consequências humanas" e Vidas desperdiçadas", livros de sociologia que são mais tragédias filosóficas em prosa e em ciência que qualquer outra coisa proveniente da alma humana, na acepção do estagirita.
O filósofo Aristóteles já havia parado essa sangria quando coloca as categorias,mormente a substância, no mundo real, com se fora um demiurgo do "logos" e da lógica. O estagirita anula parcialmente o pensamento da viração permanente do pensamento heraclítico, do vir-a-ser instantâneo que não permite tempo para que qualquer coisa seja ou seja e não seja simultaneamente ou quase em simutaneidade. Faz parecer que essa mudança é absoluta, não guarda tempo de relação ou para relação, o que é um equívoco  mesmo no universo subatômico da física quântica, que labora sob o tempo da luz ( tempo em velocidade). Aliás, por quê física quântica e não química quântica, já que trata dos átomos? Ah! porque, evidentemente, o critério é outro em cada caso ou cada mundo e que se passam os fatos.
O contemplar estática ( e em êxtase(êxtase!)) de Parmênides aborda o ser e o dicotomiza em ser e não-ser em contraponto à contemplação móbil heraclítica.
Esta visão de "Sociedade Líquida", algo trágica, com rasgo de tragédia grega, pois constrói e destrói relações e valores, edifícios colossais, grandes corporações num átimo,  é a mesma ideia heraclítica fundada na força natural , mas em outro contexto cultural, historial, social, econômico, político, etc., transmutada para o capitalismo, o motor incontrolável do mundo do homem moderno, coevo; o mesmo  cosmos mutável, "líquido" no rio que nunca flui o mesmo duas vezes ( o rio que somos, que fui  e flui em sangue, células, moléculas, pele, ossos; enfim, no corpo e na mente, na mente enquanto metáfora dos produtos do cérebro, lembra que nunca fui duas vezes também, ó rio!), esse cosmos cujas mutações frequentes inquieta Platão e Aristóteles, veio a jorrar na produção humano, na sede ilimitada,  infinita, faustiana do capitalismo, derrogando valores tão caros ao ser humano, tornando impossível a permanência do casamento, da empresa que não se modifique consoante os ditames do mercado ( novo ditador cruel, não mais desumano, como o ditador humano, mas inumano : o mercado abstrato e real que massacra com seus tanque de guerra mercantil, seus helicópteros apaches, seus "robocops", impondo a liquidez em tudo, mesmo no amor mais terno e com sonho de eterno); enfim, derribando tudo, inclusive as crenças, a fé : tudo o que é humano e dá conforto, não importa a verdade ou o que se venda e compre como como verdade. Verdade?!...
O senso da liquidez das coisas, está em símbolo no jogo do xadrez, do xadrez em desenho em preto e branco no tabuleiro : jogo de claro-escuro,
luz e sombras. Dí-lo com propriedade o Predicador, num contraponto que não refoge ao ponto o tema : "Nada de novo debaixo do sol", ou seja, a mudança é antiga sob o sol e, ao mesmo tempo, essa mudança contínua acaba se contrapondo em fixidez, rigidez, estabilidade, paradoxalmente.Todavia, a mudança na frase do predicador  soa contrapontística, pois sua assertiva é que nada muda, mas ao afiançar isso, para obnubilar o mundo real e o sol, joga sementes de metáforas no sentido oposto, asseverando que tudo muda... - por isso, portanto, nada é novo, nem mesmo a mudança, que é mais vetusta que o sol : todo  o conhecimento é um paradoxo. Aliás, isso nos remete, de certa maneira, à tese de Antístenes, pois absolutamente não se pode declarar o falso, numa oração, nem tampouco evocar o contraditório, princípio bailar do conhecimento, mesmo porque o conhecimento é mais complexo que a realidade. A realidade não passa por palavras; logo, não se perde nessa indevassável trilha.

( Para o ensaio "Historiografando em geóglifos ideias esdrúxulas ao aprisco desde priscas eras heraclíticas").
 
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

AB OVO(AB OVO!) - etimo etimologia verbete

Cobra Urutu Cruzeiro
Sugiro a Deus,
se é que Ele continue a ser elencado
entre os seres,
- que reinvente, recreie-nos!, crie, recrie - o tempo,
modificando-o, inovando-o no ovo,

( No ab ovo (ab ovo!)e - abre ovo! )...
- Sugiro!,  enquanto sujeito,
que o tempo não seja mais algo fixo,
porém um portal aonde possa passar o ser humano
- portal de entrada e saída
de um mundo que foi real
e continue sendo-o na senda,
na venda, no escambo, 
no amor que arrepia...
ao bel prazer de cada um
que vá e venha em revisita
a um tempo antigo que retorne ao cotidiano,

que vá  a pé, agora e hoje,  ao pretérito
e do passado ao hoje e agora
seja um passo
ao paço,
porém não enquanto e apenas 
as penas de uma memória nostálgica,
mas íntegro, completo, 
com todo o seu cosmos,
plexo, nexo, sua complexão e compleição,
a qual fornecia corpo e alma,

espaço e tempo,
para todos aqueles seres humanos
abrigados na casa daquele tempo
em que o templo, agora em pó,
a consonar com a profecia,
estava em pé com pedra calcando-o
e ao pé  do tempo

e da escadaria que corria ao templo
feita criança efusiva.

Templo no tempo, então,  em retorno pleno,
na categoria substância,
que sustem a tese de Aristóteles.
Templo no qual se ouvia recitar 
( e se pode ou poderá ouvir 
a qualquer instante)
o arcanjo e o serafim
em preces sem fim
- com récitas para três violinistas azuis-miosótis
e dois violinistas verdes-rãs,
com face no anfíbio,
no sátiro, no fauno...

 
Sugiro à divindade 

que eu possa visitar,
revisitar,
o tempo em que meu filho e minha filha
cabiam no espaço emoldurado 

das teias de teses que a aranha esqueceu de arranhar,
- teses, em tese!, de susbstância temporal
que os vestiam com tez de crianças
e eu com um capote de pai inexperiente,

pele incipiente...

Faço esta sugestão,

que é uma eufêmia,
ao Ancião dos Dias :
que eu possa retomar o caminho
( ou ir ao sapato!)
da casa paterna e materna
como quando eu era criança
e podia conviver com meu pai e minha mãe
naqueles tempos de antanho
com fogueira de São João a queimar
e estanho a espocar seu grito de lata
( o grito do estanho no quadro 'O Grito"
- de um Munch boquiaberto
entre a corrosão da ponte
e outras ligas metálicas
que não possuem o metal cassiterita,
de onde vem o óxido originário do estanho).

Liga metálica e não-metálica
de estanho com estranho!,
sugiro ao senhor Deus dos homens justos,
dos homens de bem,
dos virtuosos arrolados em Ética a Nicômaco,
da lavra do filósofo estagirita,
( quão presunçoso sou e solução na solução!
- que tudo apaga com rasto d'água)
que o tempo soprado no oboé da bolha
- como melodia da infância,
insuflada pela oboísta-criança,
crie, recrie, recreie com o universo-tempo
aonde possamos trafegar,
trafalgar, quiçá,
antes que o demônio no homem
tome pé sobre as cristas das ervas escarlates
derreadas no sangue derramado inutilmente
pelo punho-punhal em serviço nas aras,
porque ruim o ser humano é
e tão nocivo
que o santo
é sua pior forma de perversidade
-  hedionda!
( Hediondas suas ondas senoidais!
O que não é de onda!...
mas de loca
onde se esconde a louca moréia,
sob arrecifes, restingas:
escolhos que não  escolho
olho no olho,
dente no dente...dentina!).

Sujo sugiro ao deus dos totens e tabus,
dos caititus, das urutus , dos urubus,
porém não do que o arcabuz
busca
no rastilho da pólvora
- em polvorosa!
( Goza e glosa
a morte de um grande diabo
que está no mundo
e é o mundo no giramundo
e no redemoinho que enreda
o vento moenda na moenda
- dos glosadores!);
sugiro  no giro do redemoinho
d'água e vento,
ao deus do redemoinho,
ao velo velho do vento em espiral...
- a estes com dez denários, enfim,
sugiro, por mim e para fim,  esta hipótese :
que o que nos enfileira em leva de prisioneiros do mal
é o grande diabo que mata
quando nos esgueiramos sorrateiros na mata
ou nos protegemos ( e aos genes!)
sob a casamata com paliçada :
ele, o grande diabo,
dá-nos, aos dentes viperinos,
uma dose do mal
que nos envenena
e leva o próximo a morte tóxica :
hemotóxica, neurotóxica.


O estado de direito
ou sem direito : de fato, 
é o grande demônio
devorador de homens.
Não, Rousseau, o homem não é
de todo mal,
mas quando em   instituição
ou na forma coletiva,
ou seja : em sociedade corruptora, 
o estado é um diabo fora de controle,
que domina e embriaga seus pretensos controladores,
seus políticos e seus pensantes cientistas geopolíticos:
é a polícia que massacra indefesos,
enquanto corporação(corporação!)
ou corpo de monstro sanguinário,
o juiz que age pelo algoz,
o direito que aniquila as mentes
com seus embustes doutrinários
e seu doutos escravos e mendazes,
pois tudo o que é oficial é mendaz :
mente descaradamente tal qual, ou mais,
que a mais mendaz das marafonas.

O mundo é o grande diabo preto e branco
- em preto e branco crucificado no xadrez,
n'álma das crucíferas
cruzeiras no céu noctívago
e na cabeça da urutu
rastejante qual arroio de rocio 

marcadas por patas de rocim com veneno
- e cruzeiro benzido na testa
( essas urutus cruzeiras!
com o sinal da santa cruz
na terra da Vera Cruz))
sob as ervas daninhas
aninhadas na terra chã,
ao rés do chão,
por escabelo dos pés...
de Nossa Senhora,
a Virgem Imaculada
que pisa a cabeça da cobra
no céu radiante

Entre nós, a nos separar,
não a nos atar nuns anuns,
no meio do caminho do "pinhéu" onomatopaico do gavião,
a alguns passos dos sapatos,
a urutu nos guarda do nosso amor. 

Bothrops alternus no Rio Grande do Sul, no Brasil.
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sábado, 1 de junho de 2013

JEZABEL(JEZABEL!) - wikcionario wikcionário etimo

O  poeta é um ser idealizado
porque lido em versos
em primeiros e segundos cantos
em um conjunto de signos
que falsificam o homem
e o faz bondoso e generoso
magnânimo e liberal
infenso à maldade humana
que crassa feito peste bubônica
na estupidez que toma tudo de assalto :
a estultícia é o império romano...
- não mais romano!
( O poeta e outras personagens sociais
são alienações do pensamento humano
e não o ser humano integral,
mas parte do ser
representado nas pessoas
do discurso e do teatro.
Pessoas são personagens,
atores, hipócritas
- no sentido em que representam
o que não são.
Fingidores, os poetas trágicos,
líricos ou comediógrafos).

 
Olegário Mariano foi poeta
e sua alma posta em poesia
preencheu minha ânsia por cantos maviosos
originários da alma humana
uma flor de lótus em meio à lama,
ao bioma...
porém o mesmo Olegário Mariano
foi político e como tal
deve ter perpetrado muito bem
e muito mal
na conformidade de suas forças
e interesses passageiros.

Ora! O poeta não existe,
é tão-somente um ser com pena
à mão de escriba hipócrita,
pena dos outros
e pena de morte,

porquanto a vida contempla
a pena de morte
menos para o cristão,
ao qual "Spe Salvi",
pois vive na economia da salvação,
não na economia política do mercado.

Ocorre o mesmo com o amor
que montamos na paixão sem brida :
não amo as crianças em geral,
nem individualmente;
todavia, no que tange
à criança que traz o meu sangue
de vampiro em crise
- por esse infante mato e morro,
doo o voo do vampiro a ele,
dou-lhe, doto-lhe de todas as asas
que flutua no imaginário,
pois meu neto
é o menino que tenho
para seguir com meu corpo
vida fora
e eu o amo intensamente.
Ele é meu pequeno  príncipe de Saint-Exupery.
( Saint-Exupery é um poeta:
um poeta é um filósofo menor,
mas um sábio maior
pois sua filosofia é vida:
pensamento vegetal
ou pensamento nas folhas e no caule,
arraigada planta no solo para oboé
que toca amor
com mãos pudicas e cândidas de pianistas
- e banhada pelo arroio da seiva.

Assim a vida,
assim a paixão do amor
- maior que o cristão
e o Cão Maior no céu).

Assim também sucede
com a mulher amada,
ainda que seja ela
aquela mulher, Jezabel!...


Jezabel, Jezabel...
há uma relação constelar
até nos ossos das costelas
de um homem e uma mulher
que se amam
feromônio a feromônio,
se unem osso a osso,
pois ela é osso dos meus ossos
a consonar com o que diz o Tanakh(Tanakh!).


(Excerto do opúsculo "Ensaios Poéticos no Quadrado do Xadrez para Enxadrista"

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

CASAMATA(CASAMATA!) - dicionario dicionário



Quero demudar-me perto do marimbondo
estabelecer-me-ei ali
em sua circunvizinhança
como num casamento feliz
- numa casamata(casamata!)... : Em Terezín,
República Tcheca...

Ei! Hei de ser feliz!,
terrificante terrier!
Tal e qual a poesia
Do trovador provençal 
de gaio saber,
gai saber...:
- vai saber!...que gai saber é!
(Ah! há o gaio-comum
("Garrulus glandarius"),
ave da família "corvidae").

Hei-de viver nas adjacências
à morada do marimbondo
enamorado do xadrez
que o veste em avatar
De oblongo abdomên
tocado a gongo
jongo canto
sempre encanto
de vime que vem no vento
como odre com olor de vide.
Adjacente à sua casa
ou à caixa-de-marimbondo
- assim aspiro ser e assistir ao levante do ser!
em nome da dama inacessível
bela na gaia ciência,
na ciência do poeta.

Ei! Hei-de ser meio e fim
para a felicidade minha e alheia!
Ei! Hei-de ser feliz,
flor-de-lis!,
lótus sobranceira
sobre lodos
e lobos,
lóbulos frontais,
temporais...:
Gira sol!, gira!...:
Girassol!( "Helianthus annuus"),
gladíolo,
"Gladiolus sp",
"Gladiolus palustri", brevifolius...
Gladiador! 
- Gladiador a digladiar,
gládio em riste no coliseu... 
(Vaia a ciência!).

Haverei de montar uma tenda
um tabernáculo
para lá viver
no ritmo que me ordena Alá
Enquanto hóspede de olhos em vespeiro
a ordenhar a vaca pintalgada
a mocha a malhada a preta a branca nelore
no cocho
no pasto
no vasto
antepasto
do desfastio!,
sem portar mosquete
ser mosqueteiro
mosquiteiro ter
espadachim chim sim ser
ou não ser
nem fazer a questão
com o arcabuz(arcabuz!)
ao omoplata,
o capuz...
Num burel metido a doido
- doudo homem feliz
por uma perdiz
perdida
- perdido homem
vou perdidamente apaixonado!
pelo caminhar,
pela folha verde
toda em liras
- numa lírica eremita peregrina
de um poeta doudo!
que habita casa louca
meia-telha e meia-lua,
meio São Francisco de Assis,
outra metade no filósofo cínico...

Ei! Hei-de ser feliz
como sempre quis
entre os miosótis
e os xis com pis radianos
e bis
- Biscaia!,
praia e golfo de Biscaia...,
mar de Cortez
- e ai! tantos Tântalos!
a cavaleiro negro de Thanatus...
à sombra de Thanatus
- noite-madrugada fora
em foro íntimo
inclinada ângulos, graus,minutos
em zona sombria
com ponto de orvalho madrigal
e arroio ao arrozal banhado
num arrazoado rumorejante,
aonde se ouve Lacan
rumorejar a psicanálise
do gaio saber
na álacre dançarina
que é a poesia em trovas
discursando o curso da brisa,
das monções...

Ei! Eu que sou feliz
aquinhoado com todo bem d'alma
a consonar com a Nicomaquéia
ou com o riso escarninho  da Menipéia
tenho comigo que a noite é grande,
longa  demais para mim
sem ou com sua sobrepeliz
com tecitura de fios de estrelas
ou metal  para chafariz
em trama pelo tear urdida
em resenha de metáforas!

Eia! avante!, amazona, unicórnio, centauro...!...
( Mas... -  e se Deus!
renunciar antes da luz dilucular...?!...).


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